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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Semana Cultural Brasil-Japão Final


















Quarto dia da Semana Cultural, Dia 22, Domingo.

Hoje irei relatar o último dia Semana Cultural Brasil-Japão.

Nesse dia eu acordei meio triste. Fiquei pensando como seria a hora em que eu fosse embora do Anhembi, deixando para trás não só um passado cheio de alegrias e amizades, mas de momentos tristes e ruins.
Como de costume peguei o metrô e o ônibus. Chegando ao Anhembi eu fui direto para a sala de Voluntários. No caminho encontrei as várias pessoas que conheci durante a semana. Cheguei a sala e marquei a minha entrada. Fui mandado para a recepção com outros Voluntários. Ficamos recepcionando as pessoas que chegavam e entregando o caderno de programação.

A tarde eu fui deslocado para a área de credenciamento. Lá se pegava uma ficha que dava direito a assitir todos os workshops que ocorriam no dia. Esse credenciamento era válido até o último dia da Semana Cultural.
Fiquei nessa área com mais duas meninas. A Cris e a outra eu não me recordo o nome. Era engraçado, porque as duas não se falavam. Eu conversava com uma e depois conversava com outra. Não conseguia juntar as duas.

Quando deu 14h nós voltamos para a sala dos Voluntários. Depois eu fui embora. Eu ainda pensava em ir até o Sambódromo, mas estava muito cansado. Com lembranças das pessoas e dos momentos incríveis eu deixava o Anhembi. No caminho eu encontrei outra Voluntária do qual também não me lembro o nome dela. XD
Fomos conversando durante o trajeto até a estação Tietê. Depois nos despedimos e eu fui para casa.

Participar desse Evento foi uma grande experiência. Conhecer pessoas, aprender a lidar com o público e fazer as coisas com rapidez e dedicação... Essas foram uma das lições que aprendi. Eu me arrependeria se não tivesse ido. Engraçado que na maioria das vezes eu fico com medo de ir sozinho. Com essa situação foi diferente. Eu fui sem medo mesmo sabendo que teria que me relacionar com as pessoas. E gostei. Se eu soubesse com 100% de certeza de que as mesmas pessoas que conheci estariam presentes em todos os dias eu repetiria essa rotina. Não tenho a reclamar de nada. Pelo menos quanto a parte pessoal.

Quanto ao Evento eu tenho algumas reclamações a fazer. Recordo que nos Eventos anteriores a divulgação era imensa. camisetas, chaveiros, canecas e todos os tipos de objetos que podiam ser vendidos. Na Semana Cultural não havia nenhuma estandande vendendo esses tipos de objetos. As pessoas que quiseram sair com uma lembrança ficaram na mão. Eu queria comprar uma camisa, mas fiquei puto ao ver que não tinha nenhuma vendendo.
Outra reclamação é a falta de iluminação dentro do Grande Auditório. Todos os locais escuros possuem uma indicação de degraus. Quantas vezes tivemos que ficar parados dentro do local alertando as pessoas de que haviam degraus. A luz que indicava a pequena diferença de altura no chão era imperceptível. Mesmo com os nossos avisos muitas pessoas quase cairam.

Esses foram os relatos dos quatros dias que eu me senti mais "Eu". Sejam eles bons ou ruins. Sempre estarão dentro do meus pensamentos, da minha alma, do meu coração.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Semana Cultural Brasil-Japão Parte IV



Terceiro dia da Semana Cultural, Dia 21, Sábado.

Eu já estava em estágio de zumbi. Mas estava muito empolgado para esses últimos dois dias. Uma das razões era a tão esperada visita do Príncipe Naruhito. Outra era o Concurso Mundial de Cosplay.
Eu sabia que não conseguiria ver o Príncipe. Para entrar no Sambódromo era necessário a apresentação de convites adquiridos pelo telefone. A venda desses convites começou um mês antes do início do evento. Foram todos vendidos rapidamente. As minhas chances de conseguir um convite eram mínimas pois, estavam dando preferência aos descendentes, depois os mais velhos e por fim ao que sobrarem. Resolvi ficar no Anhembi.

Nesse domingo o tempo fechou. Choveu forte e a temperatura caiu bastante. Fiquei cuidando da Exposição dos Bonecos de Pano. O único acesso a exposição era uma escada em formato espiral que dava fim a um segundo andar localizado em cima das entradas do Grande Auditório. Haviam entradas nas laterais para quem quisesse acessar o segundo andar. Mas por causa do Príncipe um esquema de entrada e saída foram elaborados. Foi formada uma fila na escada espiral para os que quisessem ver a Exposição.

Houveram muitas reclamações devido ao esquema. Mas acredito que consegui trabalhar muito bem nessa área. Outra voluntária me ajudou na formação da fila. Por mais que eu tente eu não consigo lembrar o seu nome. Mas isso não faz diferença, pois ela saiu por um momento dizendo que iria voltar. Acabei ficando sozinho por um grande período na esperança de seu retorno. Que idiota eu fui.

No final do dia a fila já estava vazia e começava a me cançar as pernas. Fiquei o dia inteiro em pé. De repente eu avisto uma figura familiar andando pelas estandes. Mas olha que legal. Era a Japonesa que estuda na minha sala! Com muita alegria eu fui até ela e a cumprimentei. Ela me contou que sua família fazia parte do Karaokê. Depois de muita conversa ela foi embora.

Um dos Líderes de equipe viu o meu cansaço e me enviou para a área de achados e perdidos. Era um cubo de sala com um armário. Dentro desse armário estavam os objetos esquecidos pelos seus usuários. Eu me surpreendi quando abri o armário. Nunca pensei que as pessoas pudessem perder coisas tão bestas. Entre tantos objetos os mais estranhos foram: Um par de sapatos, 3 óculos de grau, um secador, um par de chinelos havaianas e uma toalha de rosto verde.
Muitas vezes também vinham pessoas dar queixa de que perderam seus bens. Mas por serem objetos de valor, como câmeras e filmadoras, a chance de retorno era baixa.

Ah, teve um momento desesperador. Estava eu no Grande Auditório esperando as pessoas sairem quando uma moça vem ao meu encontro dizendo que perdeu sua bolsa. Eu perguntei aonde ela deixara a bolsa e ela me respondeu que deixou em cima da cadeira e foi ao banheiro e quando retornou não estava mais lá. Meus Deus! Fui correndo até o achados e perdidos verificar se a bolsa tinha aparecido por lá. Mas não! Em uma situação como essas e um lugar grande como o Anhembi é quase impossível que devolvam a bolsa. Corri até um segurança que se encontrava perto da entrada e o comuniquei que havia se perdido uma bolsa. Ele contactou todos pelo rádio, mas me alertou que as chances de recuperação da bolsa era mínima. Eu não sabia mais o que fazer... até que a moça me achou e me informou que a Mãe dela havia pego quando foi embora. Eu nunca me senti tão aliviado na vida.

Um acontecimento estranho ocorreu por volta das 16h, horário em que o príncipe chegaria ao Sambódromo. O tempo estava realmente fechado. Um frio ardente e uma garoa faziam qualquer gorila colocar um casaco mais grosso. Boatos dizem que quando o Príncipe chegou o tempo misteriosamente abriu e um faixo de luz cortou o céu. Verdade? Mentira? Não sei. Só sei de uma coisa. Depois do que eu passei eu acreditava em qualquer coisa.

Ao fim do dia nós fomos embora com o ônibus. Ah. Eu acabei nem vendo a Apresentação de Cosplay. XD

Amanhã postarei o último dia da minha jornada. Minha opinião sobre o Evento, sobre a organização dos Workshops e do Sambódromo.

Abraço e boa noite a todos.

Semana Cultural Brasil-Japão Parte III




Segundo dia da Semana Cultural, Dia 15, Domingo.

Era 6h da manhã e lá estava eu novamente me preparando para sair. Eu já não estava tão nervoso quanto da primeira vez. Já conhecia o lugar, as pessoas e sabia mais ou menos a programação.

Peguei o metrô e logo estava no ponto de ônibus. Peguei o Pq. Anhembi e em menos de 10 minutos eu cheguei ao local. O engraçado foi que, ao chegar lá eu me deparei com voluntários que estavam perdidos. Logo me lembrei do meu primeiro dia. Depois de os guiar até a sala de voluntários eu fui mandado, junto com outra pessoa até o grande auditório. Nesse dia iria ter a comemoração do 43º Festival de Gueinosai, aonde teriam danças e músicas folclóricas japonesas.

Eu fiquei praticamente o dia inteiro no Grande Auditório, distribuindo a programação e indicando o pessoal aonde era a entrada. Uma coisa engraçada aconteceu. Não era permitido entrar com bebidas e comidas dentro do local. Uma senhora estava entrando com dois cafés e eu abortei e comuniquei que não era permitido. Ela me disse que iria buscar o irmão dela e me pediu que segurasse os cafés. Eu gentilmente aguardei. Depois de uns dez minutos a senhora saiu do Auditório e me disse: Olha, pode ficar com os cafés.
Eu não queria, afinal não podia beber. Mas a senhora insistiu e foi embora. Eu dei um para uma colega minha que estava por perto.

Depois do horário de almoço eu fui para a sala de voluntários e como não tinha muito a se fazer(de novo) eu fiquei andando por ali até o final do evento. Só destaco a apresentação da cantora Mariko Nakahira. Eu não a conhecia, mas resolvi ficar para ver.
No final ela cantou a música "Carinhoso" de Tom Jobim, e confesso que fiquei emocionado. Não porque eu me emociono fácil, mas o jeito com que ela cantou foi tão bonito. Depois disso eu voltei para a sala e no ônibus acabei fazendo três grandes amigos do qual eu não lembro o nome de nenhum, afinal já fazem duas semanas que não os vejo.

Esse foi mais um relato de um dia tranquilo no Anhembi. Amanhã postarei sobre a visita do Príncipe Naruhito no Sambódromo e de alguns acontecimentos bastante perturbardores.

Um abraço e boa noite a todos.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Semana Cultural Brasil-Japão Parte II



Irei continuar a partir daqui a minha aventura na Semana Cultural.

Depois de dar uma volta pelo Anhembi nós voltamos a sala dos voluntários. Esperávamos por um pedido de ajuda. Uma mulher vestindo uma camisa roxa da Rock entrou na sala. Para quem não sabe Rock é a firma responsável por toda a organização do evento. Eles cuidam desde o camarim dos artistas até a parte da iluminação do palco. Ela requisitou a ajuda de quatro voluntários para arrumarem o camarim dos artistas. Comigo havia mais três voluntários, que logo fomos ajudar a mulher.

Chegando no camarim ela pediu que dois ficassem com ela e que o restante fosse atrás de outra pessoa, a Fernanda, e que não desgrudássemos dela. Eu só sei que fiquei que nem um idiota de lá para cá.

Depois de muita correria nós fomos encaminhados para a sala da diretoria, aonde todo o pessoal da Rock se concentrava. Fomos incumbidos de separar vales alimentação e colocar uma quantidade certa dentro de um envelope. A manhã vai chegando ao fim e nós acabamos o serviço e ficamos esperando mais alguma instrução.

Por causa da falta de serviço nós fomos mandados para a área de alimentação. Formamos um grupo de seis voluntários e ficamos conversando. Do nada todo mundo se separou e eu consegui ficar no grupo com um menino e uma menina. Não me recordo o nome do rapaz, mas a menina eu lembro que se chamava Débora. Foi um dos melhores dias, não porque eu fiquei sem fazer nada, mas porque me encaixei num trio legal.

Quando deu 14h o menino foi embora. Ficamos eu a Débora. Eu não sou muito de falar e acho que isso atrapalhou um pouco a nossa amizade. Durante a tarde toda nós ficamos andando de um lado para o outro. O movimento de pessoas estava realmente fraco.

Depois fomos ver a apresentação de Taiko. Eu achei legal, mas gosto de taiko com os tambores grandes. Quanto maior mais barulho. XD
Depois disso fomos mandados para a área da cozinha. Eu pensei que fosse comer alguma coisa, mas não. Acabamos enxugando a louça que os Chefs sujavam.

Eu me lembro de voltar para a sala dos voluntários. Acabei me separando dela e fui para a arte do papel pendurar as pipas gigantes que o senhor Ken fez. Ele é uma das celebridades do Centenário, por fazer das pipas uma profissão. Depois disso eu fui embora.

Record0-me que fui embora no último horário. Eu acabei esquecendo que tinha ônibus de graça e peguei um pago. --'

E assim foi meu primeiro dia no Centenário.
Durante a semana eu vou postando os dias seguintes e na sexta posto sobre o Festival de Pipas de Hamamatsu.

Abraço e boa noite a todos

sábado, 28 de junho de 2008

Semana Cultural Brasil-Japão Parte I


Esse ano é um ano especial. Porque? Simples, este ano se completam os 100 anos da imigração japonesa. Muitos eventos estão ocorrendo por todas as partes de várias cidades, mostrando os costume e cultura de uma das nações mais bela deste mundo.

Eu não pude ficar parado. Participei como voluntário de todos os eventos possíveis. Como não terei tempo de postar sobre todos eu comentarei sobre o mais importante de todos: A Semana Cultural que ocorreu entre os dias 14 e 22 de Junho no anhembi. Mal eu sabia que estava prestes a mudar a minha vida...

Tudo começou quando eu soube das comemorações do centenário no Brasil. Pesquisei no site do centenário e percebi que havia um sessão para voluntários. Não pensei duas vezes. Me cadastrei feliz da vida, já imaginando como seria esse evento de proporções grandiosas.
Antes de iniciaro mês de Junho eu recebi um e-mail. Era a confirmação do RH. Eu fiquei feliz, pois soube que a maioria das pessoas que mandaram e-mail não obtiveram essa confirmação.
Ansiosamente eu esperei por esse momento. Fiz o treinamento, conheci um pouco do lugar e dos outros voluntários. O local era gigantesco.

A semana passou muito devagar. Cada dia era um dia a menos na minha contagem regressiva. Até que finalmente sexta feira chegou! A noite eu não conseguia dormir. A empolgação era tanta que o sono não vinha. Quando me dei conta já era de manhã. Hora de acordar! Simplesmente saltei da cama e fui tomar banho. A cada momento a minha empolgação ia aumentando mais e mais.

Finalmente sai de casa. Durante o trajeto eu fui imaginando como seria o local, o seu tamanho, aonde seria o banheiro, o teatro... As imagens passavam na minha cabeça. Cheguei na estação Tietê. Lá eu encontrei antigas pessoas que conheci no Bunka Matsuri. Fiquei muito feliz por ter os encontrado, afinal eu pensava que nunca mais iria vê-los. Pegamos o ônibus Pq. Anhembi e em pouco tempo chegamos ao tão esperado local.

Logo na entrada nos deparamos com um problema. Aonde fica a sala dos voluntários? Procuramos, procuramos, procuramos e nada. Acabamos nos perdendo. Graças a outros voluntários que já conheciam o local nós achamos a sala. Fizemos a entrada na ficha, pegamos o colete e o crachá e fomos conhecer o local. Haviam 5 salas de Workshop. Artes do Pop, Artes do Papel, Artes do Sabor e Artes do Corpo. Haviam também dois palcos: O Auditório Principal e o Auditório Elis Regina.

Durante a semana toda(dia 14 a 22) ocorreram apresentações,danças,workshops,filmes e concursos. Tenho muito mais coisas a falar, mas se me empolgar esse texto ficará imenso. Só queria passar para vocês o meu ponto de vista sobre o evento. Fiz muitas amizades e me diverti como nunca. Claro, eventos grandes sempre são cansativos mas, depois de ver a felicidade no rosto das pessoas e saber que você faz parte daquilo tudo você percebe o quanto valeu a pena.

Parabéns aos primeiros Imigrantes pela sua persistência, garra e esforço. Agradeço de todo o coração por vocês terem trazido para cá tanta cultura e nos fornecer supremos momentos de alegria.